Olá meninas,
O post de hoje é mais uma curiosa e divertida história do nosso colaborador
Leandro Benitez.
Que através de suas palavras deixa grandes mensagens de incentivo e inspirações!
Boa leitura e não deixem de participar com seus comentários!!!
Beijinhos flores!
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Olá leitoras do blog Mulher Rica! Hoje decidi dar um pulo aqui para trazer uma nova história mais um pedacinho de mim na esperança de que isso de alguma forma, ajude vocês a superar mais uma berreira, vencer mais um obstáculo e subir mais um degrauzinho em direção a sua independência financeira.
No
meu último post aqui no blog contei para vocês a história de como consegui viajar para a Fena Doce com o dinheiro que consegui vendendo “PESTO”, a moral da história era que não importa a sua circunstância, quando queremos alguma coisa de verdade, damos um jeito e criamos soluções para conseguir o que queremos, no meu caso, o meu desejo era poder viajar junto com os meus amigos, porém a falta de dinheiro me fez criar uma solução alternativa, fazer e vender pesto, um tempero muito famoso no Uruguai e utilizado para colocar no churrasco ou no pão.
Hoje eu venho contar para vocês uma outra história minha, porém esta tem um objetivo diferente, vamos ver se vocês conseguem descobrir até o final do post.
Bom, lá estava eu sentado no banquinho da loja de calçados dos meus avós, o banquinho era daqueles que tem nas lojas para o cliente sentar e experimentar os calçados, a base toda metálica e com o acento forrado de napa. Este banquinho teve uma participação muito grande na minha vida, foi nele que eu passei a maior parte da minha adolescência, reclamando dia após dia da desgraça que era a minha vida, era sempre a mesma coisa, sempre a mesma monotonia, eu não tinha amigos, não tinha dinheiro, não tinha nada, ohh vida, ohh céus, como eu era coitadinho! Chegava a dar pena de mim mesmo!
Uma das minhas rotinas era todos os dias ler o horóscopo do jornal a Folha, incrível pensar que eu me baseava no que estava escrito lá para saber se o meu dia seria bom ou ruim, mas vem cá, você não conhece alguém que é assim também?
Bom, a outra coisa que eu fazia era ler os classificados de um jornal local da minha cidade, lá eu olhava tudo que pudesse chamar a minha atenção, muitas vezes ligava para donos de teclados (musicais), donos de baterias (instrumento musical), ligava para donos de motos, de fuscas, até mesmo donos de saxofones, para que? Sei lá, acho que eu tinha uma ansiedade muito grande com definir alguma coisa, uma ansiedade de que alguma coisa acontecesse na minha vida, porém nada de interessante acontecia, ou eu não tinha dinheiro para comprar ou simplesmente era chamado de louco pela minha família. Porém determinado continuei olhando dia após dia os classificados até que uma coisa chamou a minha atenção!
"Vende-se pirógrafo semi profissional, ótimo para escrever em couro, isopor, madeira, ótimo para fazer lembranças, quadros decorativos, entre outros, interessados tratar com fulaninho de tal no telefone qualquer número ou no endereço: rua descobri o que quero da vida 123vivaviva. "
Liguei para o dono do pirógrafo e perguntei quanto ele queria, na época era algo entorno de R$ 150,00, para mim, uma fortuna inalcançável. Pensei: Quero isso, quero muito isso!!!

Tentei levantar o capital com meus familiares, argumentei com eles os benefícios que o pirógrafo traria, de como eu poderia ficar rico pirografando mateiras (estojo onde nós gaúchos carregamos o chimarrão – feito em couro), pirografando selas de cavalos, etc. Nada feito, ninguém disposto a arriscar o seu capital com um empresário que não tinha plano de negócios! Porém lembram do que eu falei antes? Quem quer consegue (não é a toa que esta é a frase do instituto universal brasileiro), decidi que ia ter aquele pirógrafo, foi aí que decidido procurei o dono do mesmo para uma conversa homem a homem, chegando no seu endereço descobri que a esposa dele tinha uma loja de alugar roupas para festas (ternos, vestidos, smoking, etc) pronto, resolvido o meu problema, falei para o cidadão, meu caro, te dou um smoking que eu tenho em troca do pirógrafo, ele pensou, pensou e disse, vou falar com a minha esposa e já te digo.
Tic tac, Tic tac... e ele volta, bom, vamos fazer o seguinte, traz o smoking e vamos ver como ele está, se estiver tudo ok a gente troca.
Eu fui correndo até a minha casa e quase sem fôlego voltei com o smoking, eles olharam o smoking e viram que por mais que fosse um smoking usado (eles nem imaginavam que eu tinha ganhado de presente de uma pessoa que não podia mais usá-lo por que não servia, ou seja, eu era o segundo dono do smoking), o que eles iam tirar alugando-o umas cinco vezes traria o dinheiro do pirógrafo fácil, então decidiram fechar o negócio e eu saí com vontade de gritar de alegria, eu tinha fechado o meu primeiro negócio de sucesso, eu era um empreendedor, nossa, eu tinha trocado um smoking por um pirógrafo de R$ 150,00 (levando em consideração que o smoking não tinha me custado nada eu sai na vantagem, quem sabe começaria a pegar roupas usadas de outras pessoas e trocava elas por alguma outra coisa?).

Bom, com o pirógrafo em mãos eu mal poderia esperar para começar a produzir as minhas obras, procurando alguma coisa para queimar com o meu pirógrafo encontrei uma loja que fabricava e vendia peças em couro, me ofereci para fazer uma parceria e pirografar os produtos deles, porém o filho dos donos da loja já fazia isso e muito bem diga-se de passagem. Mas pera ai, eu era um negociador, precisava sair daquela loja com algum negócio feito! Foi aí que vi uns retalhos de couro no chão e perguntei ao dono se poderia me conseguir retalhos de couro, ele prontamente me deu uma sacola cheia de pedaços de couro.
Bom, com couro, o pirógrafo, faltava somente a ideia, e não é que ela veio! Cortei diversos pedaços pequenos e retangulares e escrevi nomes comuns neles, fui a uma loja perto da minha casa, comprei dois metros de correntinha, algumas argolinhas pequenas de metal e aquelas argolas que todo chaveiro tem, pronto, surgiu o meu primeiro produto comercializável, os chaveiros com nomes.
Fiz os meus primeiros chaveiros e comecei a oferecer para meus conhecidos, além é claro de deixar eles pendurados na loja de calçados dos meus avós para que minha avó vendesse para mim enquanto eu produzia mais coisas.
Como não dava para ficar usando todos os pedaços de couro que eu tinha por que poderia gastar tudo com nomes que nunca iriam vender, precisava encontrar outras coisas para queimar, pirografei a minha mesa, cabos de vassoura, colheres de pau, tudo que fosse queimável lá estava eu feito cupim na madeira.
Madeira?? humm que? MADEIRA!!!!! claro!!! fui correndo em uma empresa que vendia madeira e pedi pedaços de madeira que sobravam, para eles não servia para nada, para mim era ouro! Peguei pedaços de madeira em forma triangular que eles deixavam cair cortando tábuas de madeira grandes.
Comprei aqueles ganchinhos de ferro de por chaves e pronto, mais um produto! Um porta chaves! Pirografei diversas frases e desenhos, coloquei os ganchinhos e para pendurar na parede, ou eu furava com o próprio pirógrafo atrás para encaixar o prego, ou eu pregava com taxinhas um pedaço de couro com um furo.
Já poderia até mesmo fazer uma venda casada, compre um porta chaves + um chaveiro com o seu nome por R$ 9,99.
Meus produtos estavam começando a aumentar, as ideias também!
Logo comecei a comprar madeira e não só pegar os pedaços que caiam no chão, já o couro era caro, não dava para ficar comprando, mas os retalhos me ajudavam muito. Um dia peguei um pedaço grande e mal cortado, não hesitei, comprei umas taxinhas bonitas (pretas com a ponta da cabeça douradas), peguei um pedaço de madeira de praticamente 1 x 1 m, envernizei, deixei secar, preguei o couro com as taxinhas, e comecei a desenhar a Ponte da nossa cidade, a Ponte Internacional Mauá, ficou lindo, demais da conta! Envernizei o couro também, assinei o quadro, coloquei dois ganchinhos uma em cada ponta superior para que o quadro pudesse ser pendurado na parede e coloquei também na loja dos meus avós que amavelmente cediam um espacinho para que eu colocasse as minhas coisas para vender.

Um dia toca o telefone de casa e o meu avó me falou, olha tem uma senhora na loja querendo comprar o teu quadro para levar para o Rio de Janeiro, para mim, do interior do Rio Grande do Sul, vender um quadro para o Rio de Janeiro era algo inacreditável, fui correndo feito um louco pelas ruas da cidade até chegar a loja quase desmaiando pela falta de ar. Quando vi aquela senhora eu tinha vontade de dar um abraço nela, mas bem apertado, só que ela estava com pressa e queria levar o meu quadro por inacreditáveis R$ 50,00, elogiou o meu trabalho e foi embora com o meu quadro, foi uma gritaria dentro da loja, meus avós felizes por verem eu ganhando o meu dinheiro e eu feliz por ganhar o meu dinheiro!

Com uma quantidade de produtos considerável, porta chaves, quadrinhos pequenos, chaveiros, etc, eu já não tinha mais onde colocar, afinal de contas a loja dos meus avós era uma loja de calçados e eu não podia simplesmente encher de produtos artesanais, foi ai que eu vi na frente de um super mercado um daqueles expositores de metal onde são colocados os salgadinhos sendo jogado fora, analisei o expositor e vi que o único problema dele era ferrugem, resolvi pegá-lo, lixei e pintei, pronto, eu já tinha o meu expositor, criei uma plaquetinha para colocar encima dele com o meu nome indicando quem mandava naquele espaço e assim surgiu o meu pequeno comércio de produtos pirografados.
Todos os dias eu chegava com os meus avós na loja, pegava o meu expositor e colocava na calçada na frente da loja de forma a não atrapalhar a circulação de clientes, quando eu não podia ir por qualquer motivo minha avó tirava o meu expositor e vendia os meus produtos para mim, entregando-me no final do dia o dinheiro, e olha que nem comissão ela recebia!
Com o tempo as pessoas já me conheciam e me procuravam até mesmo para pirografar produtos em couro que eles compravam nas lojas de artigos gaúchos (bainhas de facas, mateiras, apoio de chimarrão, caixas de MDF, etc).
Em pouco tempo eu havia recuperado o que gastei com o pirógrafo, ou seja, o valor equivalente aos R$ 150,00, e mais um pouco que já dava inclusive para comprar um outro smoking novo.
Minha lojinha durou algum tempo até que outros empreendimentos surgiram, vendi o meu pirógrafo cerca de um ano e meio depois de ter comprado ele, vendi por R$ 200,00 em dinheiro para um cara que trabalhava no presídio da cidade, fui pessoalmente entregar ele e mostrar como funcionava.
Hoje, muitos anos depois, tenho um pirógrafo profissional que comprei para fazer peças pirografadas para colocar na
loja da minha esposa (procure por peças pirografadas) e para me distrair.
Moral de toda esta história, quando você quer alguma coisa, você dará um jeito de tê-la!
Independente de ter ou não dinheiro para isso, você venderá coisas velhas, fará permutas, perderá a timidez de fazer propostas que você sabe que não são vantajosas para a outra parte, pois você não sabe o que a outra pessoa está passando, muitas vezes o que ela está vendendo está sendo um problema para ela e qualquer coisa que você ofereça que desperte o mínimo de interesse, será aceito, essa pessoa está se desfazendo de um problema e ao mesmo tempo ganhando algo que lhe interessa.
A segunda moral da história é, se você está cansado do que está fazendo atualmente, procure alternativas, mesmo que as pessoas te critiquem, que elas digam que você é louca, não se abale, continue acreditando no seu potencial e nas suas ideias, no fim, quando você tiver conquistado o que desejava, não se vanglorie, você poderá precisar das pessoas que te criticaram antes para financiar as suas ideias, a diferença é que agora elas sabem que você faz aquilo que se determina a fazer.
Bom meninas, espero que tenham gostado de mais este fragmento da minha história e que ele possa trazer a vocês não só momentos de risadas e divertimento, mas que também traga esperança, ânimo, desejo de lutar, de continuar na luta, de vencer! Lembrem-se de que por maior que seja a luta, nós sempre temos a capacidade de vencê-la.
Deixem os seus comentários, me contem o que acharam do post, critiquem, sugiram, opinem e contem a sua história de sucesso também, afinal de contas, o que é a vida se não um eterno aprendizado e troca de experiências?
Finalizo com a minha frase preferida que diz: “Deus não escolhe os capacitados, Ele capacita os escolhidos”
Grande Abraço
Leandro Benitez